Operação Nádegas Limpas!

Escrito no ano 2.000!

Prezados Amigos,

Bem, antes de eu ir riscar outros afazeres da minha lista B.N. (buraco negro) vou contar-lhes sobre um evento interessante/engraçado/embaraçoso que só pode acontecer uma vez na vida de alguém e que aconteceu COMIGO e que fará seus músculos abdominais ficarem doloridos por uma semana depois de vocês botarem os bofes para fora de tanto rir.

Eu tinha acabado de chegar ao Rio Centro para trabalhar na cerimônia de abertura de um congresso de astronáutica (não, Clint Eastwood não estava lá). Obviamente, vestia esmeradamente terno e gravata. Subitamente tive a necessidade de desovar o conteúdo de meus intestinos num limpo e confortável vaso sanitário – o Barroso estava me chamando para conversar. Tive sorte de chegar cedo, pensei, porque os banheiros do andar de cima ainda não foram usados (não haveria sessões no andar de cima na parte da manhã). Subi e fiquei muito feliz de confirmar corretas minhas suposições. Os banheiros estavam imaculadamente limpos, exatamente como deve ser numa sala de partos. Muito bom. Escolhi um cubículo, verifiquei se havia papel – bastatante. Muuuuiiiiiiiiito bom.

Depois de tirar paletó, pochete e celular e de pendurá-los num conveniente gancho na porta do cubículo dei uma forcejada para alijar toda aquela inspiração de dentro de mim. Eu devo ter comido algo podre no dia anterior. O fedor estava tão brabo que eu pensei em dar uma descarga para afundar logo a primeira leva de submarinos (neste caso, algo que nem a marinha Russa teria escrúpulos de fazer).

Virei-me e alcancei a alavanca da descarga. No último momento ainda reconsiderei a decisão – deveria? Arhg, claro que sim. A alavanca sentiu o peso de minha mão. Naquele mesmo átimo senti um forte geiser (porém frio) que jorrou de dentro do vaso. Não houve tempo para reação, só para sensação! A água que brotara com força descomunal das partes mais recônditas da privada ricocheteara no fundo (onde, com esforço, eu havia depositado minha obra de arte) e espirrara para cima, em direção ao meu bumbum branquinho e desprotegido. Foi como se as quedas de Foz do Iguaçu tivessem se concentrado para sair de um bueiro! Quase decolei da privada no melhor estilo “foguete de água” gigante! E depois de a água ensopar minha poupança, (como que numa vingança pessoal: “agora toma de volta o que você jogou em mim”) encontrou os orifícios entre minha ergonomia e as bordas defletoras da privada e escapou para o espaço exterior – e respingou na minha gravata!

Dois segundos mais tarde tudo havia terminado. Fiquei ali, prostrado, com a mão ainda em cima da alavanca de descarga (não deu nem tempo de tirá-la de lá). Honestamente, eu queria ter uma câmera para registrar minha expressão facial (ou talvez não, ela poderia ser confundida com outra parte de minha anatomia). Perdi a noção do tempo.  Minha expressão de surpresa foi substituida por uma de incredulidade, depois por uma de raiva. E então sorri – é claro – eu estava numa pegadinha (de mau gosto, sem dúvida) e por isso mesmo eu também ia pegar alguém! Mas, cinco minutos depois, ninguém havia aparecido e não consegui ver nenhuma câmera. Mas eu não xinguei, não. Tudo o que eu conseguia dizer era: oinc, oinc, oinc. Por que será?

Finalmente a expressão “tenho que fazer alguma coisa” tomou conta de mim. Simplesmente desfiz o nó da gravata e a joguei direto no cesto de lixo. Felizmente as outras partes da minha indumentária não foram atingidas. Consumi todo o papel higiênico do cubículo. Depois usei as três “toalhas refrescantes” com álcool que insisto em coletar nos vôos que faço. Desta vez elas foram muito bem utilizadas, eu garanto. Ainda bem que eu não tinha fósforos ou um isqueiro comigo porque talvez tivesse tentado a desinfecção pelo fogo. No fim até que fiquei satisfeito com o resultado da operação “nádegas limpas” (lava jato não cabia) mas obviamente já estava ansiando um bom banho quente com uma enorme barra de sabonete de eucalipto.

Fui para o auditório trabalhar. Ninguém percebeu nada, exceto que eu não estava usando gravata, como de costume nessas ocasiões, e o excessivo número de moscas que insistiam em voar perto de vocês sabem que parte de mim.

Esta é a história de um homem que sentou numa privada e deu descarga num bidê atômico. Em virtude de ser um homem decente (especialmente agora que já tomei banho) comecei a pensar numa campanha para evitar que isso aconteça com outras pessoas. Poderíamos usar o slogan: “faça cocô, não lambança”. Seria acompanhado por um pôster com fundo vermelho enfocando o rosto desesperado de uma pessoa sentada no vaso sendo esguichada de baixo para cima com a palavra “WHY?” estampada por cima. Mas, talvez tudo isso não seja necessário. Pode ter sido apenas uma experiência intencional para testar os limites humanos como no filme “O Ovo da Serpente”, de Ingmar Bergman.

Ih! Acabei de me lembrar que não dei descarga após a segunda sessão do meu “longa metragem”. Apenas baixei a tampa do vaso e fui. Agora já sei quem deu aquele grito pavoroso meia hora mais tarde. Ele deve ter levantado a tampo do vaso e viu aquilo. A seguir inclinou-se para a frente, por cima da privada, para alcançar a alavanca da descarga. Pobre coitado! hahahahahahahahahaHAHA­HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA …

 

 

 

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