Novo meio de transporte urbano!

Andar a pé ainda é o meio mais barato e mais versátil de locomoção. Mas, se houver necessidade de velocidade ou se o trajeto for mais longo, um meio rodante é melhor. Um carro pode ser bem confortável e rápido se não houver engarrafamento. Mas é caro e nem sempre há estacionamento! Uma moto é mais rápida no engarrafamento mas é menos segura. E o custo de sua manutenção, embora menor que o do carro, não é desprezível: combustível, manutenção e impostos. Pode ser que a viagem fique mais demorada se o piloto da moto for responsável porque ele não vai furar sinais vermelhos nem pegar uma contramão ou andar na calçada para cortar caminho. E nem sempre é permitido, possível ou fácil estacionar.

Aí entra a bicicleta. Mais barata, não paga impostos, manutenção mais fácil e barata. Para trajetos relativamente curtos é uma boa solução. Afinal, a velocidade média de um carro na cidade é 30km por hora ou menos. A bicicleta pode manter uns 25km por hora sem muito esforço em uma via plana e asfaltada. Mas o esforço (ainda mais no calor) pode deixar a pessoa muito suada e nem sempre as vias são planas e asfaltadas. Essas condições inviabilizam a utilização da bicicleta em muitas situações.

Aha! Entra a bicicleta elétrica! E, vamos ampliar o escopo, as motonetas elétricas. Agora a velocidade aumenta, e os custos de manutenção e energia diminuem em relação à moto tradicional e ao automóvel. Mas permanece o problema do estacionamento para as motonetas e, em grau menor, para as bicicletas. E aparece outro problema: o roubo! Tem havido, pelo menos no Rio de Janeiro, muitos roubos de bicicletas elétricas.

Entra em cena o monociclo elétrico! Para quem não sabe, o monociclo é um veículo de uma roda só. A pessoa monta o veículo com um pé de cada lado da roda e, quando se inclina para a frente o veículo acelera. Para desacelerar (ou frear) o piloto se inclina para trás. Existem monociclos para todos os gostos. Desde os pequenos e pouco potentes para quem quer só se distrair e brincar até os grandes e potentes para deslocamentos mais longos e mais rápidos (também para trilhas off-road, para corridas, para manobras …).

As desvantagens do monociclo para deslocamentos urbanos relativamente curtos são:

  • o custo de aquisição alto se for novo, mas com possibilidade de revenda a bom preço
  • a necessidade de desenvolver a habilidade para pilotá-lo
  • a manutenção especializada quando necessária; não é em qualquer lugar

Já as vantagens são:

  • o baixo custo da energia necessária para rodar ( apenas 3 centavos por km no meu mono);
  • muito boa potência, velocidade e autonomia em relação a bicicletas elétricas (até 50km/h e 60 km de autonomia no meu mono que sobe qualquer ladeira);
  • pode estacionar como uma bicicleta ou ser conduzido manualmente pelo piloto por uma alça em ambientes internos de lojas, shoppings, edifícios, supermercados, calçadas etc.;
  • maior mobilidade porque pode ser transportado facilmente na mala de um carro pequeno ou o piloto pode levá-lo no metrô, trem, barcas, elevador, escada rolante …;
  • menor tamanho para guardar em casa;
  • menor incidência de roubo (quase zero);
  • versatilidade rodante, isto é, pode rodar na rua, na ciclovia, na calçada (legalmente até 6km/h) o que permite percursos otimizados e economiza tempo.
  • muito pouca manutenção

Há quem mencione como desvantagem o fato de o monociclo não poder levar carga nem um segundo passageiro como uma bicicleta. O mono só leva o piloto mas o piloto pode usar uma mochila e levar alguma carga. Outros afirmam que o monociclo é mais perigoso do que uma bicicleta. Pode ser, sim. Vai depender da cabeça do piloto que pode ser afoito, viciado em adrenalina ou calmo e tranquilo. No geral, leva o mesmo risco que uma bicicleta. Eu considero uma desvantagem o fato de eu usar joelheiras, cotoveleiras, protetor de pulso e capacete. Pode ser desconfortável vestir e retirar tudo. Mas eu prefiro. Faria o mesmo se andasse de bicicleta.

Ele é bastante tecnológico. O motor fica dentro da roda. Não tem freio. A frenagem é feita com a inclinação para trás. Isto é, você acelera para trás para frear. Por isso não gasta pastilha de freio porque não tem pastilha de freio! Além disso, se andar para a frente gasta a energia elétrica da bateria, “frear” gera energia elétrica que carrega a bateria. Na minha experiência, a descida de uma ladeira gera cerca de 20% da energia gasta na subida.

Acima, o meu monociclo guardado no armário.

Eu tive de ter algumas aulas e de treinar sozinho para me sentir à vontade para andar de monociclo nas vias da cidade. Mas deu certo. Já rodei mais de 750 km com meu monociclo fazendo desde percursos pequenos a percursos de mais de 50km. Em uma ocasião uns amigos me convidaram para subir o Morro Cara de Cão pela trilha (morro da Urca, onde é a primeira escala do bondinho do Pão de Açúcar). O encontro era na Praia Vermelha. Se fosse de Copacabana de carro haveria engarrafamento (domingo a via da praia fica fechada) e não haveria estacionamento da praia vermelha. Se fosse de taxi sairia caro. De Uber, em geral há uma espera considerável. Então, montei no mono e fui. Cheguei rapidinho na Praia Vermelha! Prendi o mono numa corrente e fomos subir o morro Cara de Cão.

Na volta, decidimos ir comer um pastel e beber alguma coisa no Bar Urca, no final da Urca. Enquanto os outros pegavam os celulares para chamar um Uber eu montei no mono e fui. Cheguei antes de todo mundo! Entrei na fila, pedi dois pasteis e uma coca. Esperei fritarem os pastéis. Fui para a mureta e comi um pastel. Depois o outro. Aí o pessoal começou a chegar! Fiquei admirado da velocidade e versatilidade do monociclo como veículo de transporte urbano. Voltei de lá para casa em Copacabana subindo pela via que dá entrada para o estacionamento do Shopping Rio Sul e descendo a ladeira do Leme.

Num outro domingo decidi ir até à vista Chinesa. Abaixo, o percurso.

Saí de Copacabana pelo Corte de Cantagalo, contornei a lagoa Rodrigo de Freitas, subi a Lopes Quintas e depois a Pacheco Leão até à Vista Chinesa.

Acima o mono está com a alça puxada para cima porque o conduzi para essa posição manualmente. Quando pilotando a alça fica recolhida. De lá, voltei até à Lagoa e pelo Humaitá e Túnel Velho para Copa. Viagem calma e tranquila.

Já fiz percursos maiores também. Num deles fui até a Vista Chinesa, continuei até o Alto da Tijuca, peguei a Estrada das Paineiras, visitei o Mirante Dona Marta, desci até o Cosme Velho e depois peguei a estrada das Laranjeiras até o Aterro do Flamengo, rodei um pouco no Aterro e voltei até a praia de Botafogo. De lá, fui até o Bar Urca comer um pastel (de novo!) para então voltar para casa pela ladeira do Leme. Total 50km. Cheguei em casa com uns 30% de bateria.

O mono me conquistou. Não é só prático. Ele é muito gostoso de pilotar. O piloto entra em sinergia com a máquina. Não há controles manuais, só a inclinação do corpo. É muito intuitivo e não dá para descrever. Parece que o mono vira uma extensão do corpo. A impressão que dá é que você tem um superpoder. E como é versátil! Abaixo, eu e o mono dentro do Catamarã Rio-Charitas quando fui visitar minha mãe em Niterói.

Então, gostou da ideia? Quer experimentar? Dica: tenha paciência! Todo mundo consegue aprender. Uns demoram mais, outros menos. Mas todo mundo aprende se persistir. Houve um momento que tive a impressão de que não conseguiria aprender. Mas deu certo. Comece aprendendo num mono menor e mais leve. Só depois passe para um mono mais potente e pesado, se esse for o seu interesse. Dá para começar a aprender num mono maior mas demora mais e é mais difícil. Se for numa loja eles vão te dar aulas de graça se você comprar um monociclo com eles. Há monos para todos os tipos de gostos e de usos. Pode ser só para brincar nos finais de semana, uns vão de patins, outros de skate, outros de bicicleta e outros de monociclo. Mas também tem gente que vai trabalhar todos os dias de mono. Tem gente que gosta de fazer rolê com a galera. Enfim, haverá um mono para seu gosto e estilo. O perigo é o vício! Tem gente que chama “andar de mono” de “cracolândia”!

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